Fim

Este é o tempo em que me deixo, perdida em muros de expressão onde me escrevi e risquei. Este é o castelo que deixo para vaguear ruas vãs, afagar os medos nas esquinas existenciais, fumar as palavras que me traçam o corpo. Saio, moribunda, descrente, deixando para trás mais de um ano de letras, mais do que uma vida, diria!
Talvez por não saber falar de cor, imaginei
Em mais nenhum templo orarão as palavras minhas que se descolam dos dedos ora curtos, ora compridos. Desço as escadas da Princesa, olho para trás, guardo o retrato que se cola na retina.
E se ao menos tudo fosse igual a ti.
Sei que foi a única casa que me teve, em mim secam os restos das palavras. Despeço-me enquanto me despedaço. Espalho-me, quebro mais um pouco, como quadro que, com a idade, desbota.
Meu corpo é o teu corpo
É então o adeus, tem lágrimas como qualquer adeus que se preze. Choro. Choro-me pelo desatino de apagar a luz do canto que amei, cresceu e caiu.
Triste é o virar de costas, o último adeus. Sabe Deus o que quero dizer.
Serei sempre navegante de loucuras, construirei pontes e masmorras, sorrirei ao mundo, chorarei ao espelho.
Despedir-me de ti
Fico-me.
Deixo-me ao som
de um ponto final.
Música no Castelo: The Gift - fácil de Entender